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Sexta-feira, Abril 03, 2009
A ORDEM DAS COISAS
Só hoje me dei conta de que o verão acabou, é hora de colocar a vida em ordem. A noite está fazendo frio na minha varanda. Preciso decidir por onde começar. Ainda não resolvi o que é prioridade para mim. Antes, vou organizar as minhas idéias. Vou tentar entender os sistemas que me cercam, a fim de chegar à melhor conclusão.
Acho tão interessante a Teoria dos Sistemas começada pelo biólogo Ludwing von Bertalanffy. Em resumo, ela busca entender os fenômenos abstratos de uma organização e como se da à inter-relação dos compostos envolvidos dentro de um sistema, seja ele simples ou complexo; ou sistemas abertos e fechados. Já ouviu falar em macro e micro economia? Fique atento para decidir onde melhor aplicar o seu dinheiro.
Você já ouviu falar na Escola Sistêmica do pensamento? Sabia que ela existe? Pessoas que compreendem os mais diversos sistemas, em especial o das relações humanas, são mais felizes. Funcionam admiravelmente bem e tranquilos. Por ora vou apenas mencionar alguns modelos de sistemas. Acredito que citá-los já será um adianto para o que pretendo.
Imagine o sistema de funcionamento da sua casa. Escolhi um exemplo aparentemente simples, mas definitivamente complexo. Vale lembrar que à forma como estruturamos as nossas moradias, sejam elas casas ou apartamentos, um dia não era assim. Essa divisão de quarto, sala, cozinha e banheiro é coisa que se deu no tempo. Nem tenho ideia de quando isso aconteceu, mas num passado distante vivíamos em cavernas.
Para que minha casa funcione perfeitamente existem rotinas necessárias que precisam ser cumpridas. Num geral, refere-se à limpeza e manutenção, incluindo lavanderia, cama, mesa e banho, e o lixo; a ordem de consumo dos alimentos é pela data de validade e sua respectiva reposição; o pagamento das contas é por data de vencimento; enfim. Uma casa tem um sistema aberto e dependente. Se eu não lavar a louça, por exemplo, ou deixar de fazer supermercado, o sistema será imediatamente afetado e alterado por mim.
O meu despertador de cabeceira, que opera num princípio analógico, pode ser um exemplo de um sistema fechado. A única relação que tenho para com ele é a troca das pilhas. Ele não se realimenta sozinho, nisso será sempre dependente. Mas trabalha direitinho durante 24 horas por dia, todo o dia, durante anos. Este é um sistema em ordem.
Pense comigo: vamos considerar que o início das coisas seja o ponto zero. Então, +1, +2, +3, e assim sucessivamente, deve se apresentar da esquerda para a sua direta, sempre. Concorda? Detesto chegar num local como fila de banco ou guichê de aeroporto e encontrar a disposição dos atendentes em posição contrária, da direita para a esquerda. Para mim, se os objetos estiverem desordenados prefiro ver o mundo de costas. Assim, eles estarão dispostos da minha esquerda para a direita até o infinito e sempre.
Até aqui nada de novo, apenas manias, ok. Fico pensando que essa relação de direita, esquerda, tempo e espaço, é apenas convenção do homem para que a coisa toda funcione numa ordem. Para a física quântica a noção de espaço e tempo é diferente. A relação entre um elemento e outro tem pesos e medidas distintos, dependendo da realidade em que são projetados e percebidos. No entanto, nós, seres inteligentíssimos, organizamos o tempo para que melhor o aproveitássemos. A divisão de segundos, horas, dias, semanas, meses, estações do ano, anos, décadas, séculos, enfim, é um admirável sistema. Você concorda que os pensadores foram fantásticos? Imagina o primeiro sujeito que percebeu que em todo dia 03 de abril, em determinado ponto do globo terrestre, o sol estaria na mesma posição; a temperatura iria variar dentro de uma escala pequena; que os pólos estariam posicionados de determinada maneira com relação ao sol; enfim. Eu acho que essas definições são frutos da genialidade.
Você sabe como fazer para que toda a escolha feita por você seja sempre à melhor na sua vida? Você sabe como ter à sua disposição o melhor morango daquelas bandejinhas que se compra na feira?
Consideremos que você tem uma caixa de morangos saborosos com tamanhos diferentes, uns mais bonitos e outros com aspectos mais feinhos. Qual deles você comerá primeiro, considerando que comerá todos? Você deve ter pensado – vou comer primeiro os mais feinhos para sobrarem os mais pomposos e deliciosos para o final. Claro, geralmente, todos guardam o melhor para o final. Decisão errada! Você precisa reordenar as suas ideias no cérebro. Vamos lá... se você escolher comer primeiro o fruto maior, o mais carnudinho, o mais vermelhinho e açucarado, o próximo que você comer não continuará sendo o mais carnudinho, o mais vermelhinho e açucarado com relação aos que sobraram na caixa? Então?
Se você aplicar esse exemplo em outras áreas da sua vida, com certeza você sempre terá o melhor à sua disposição. Para a física quântica essa é uma realidade legítima. Para gente é uma questão de escolha. Cada qual sabe o que é melhor para o seu amanhã.
Tava observando que boa parte dos objetos que compõem a minha casa e o meu trabalho estão ordenados de forma sistemática. Gosto dos catálogos, gosto das equidistâncias, gosto dos rótulos para frente, gosto de encontrar o que procuro. Entretanto, preciso voltar a atenção para as minhas melhores escolhas.
São Paulo é uma bela cidade para se viver. Adoro o Rio, mas aqui me vejo muito relaxado. A última coisa que consigo pensar é no trabalho. Minha natureza é da preguiça, do sossego, da paz. A ordem em São Paulo é outra. A cidade convida você ao ritmo, à produção, ao trabalho. Tô pensando seriamente em mudanças, tô repensando seriamente a vida. Se isso acontecer não será novidade para mim, será a quarta grande modificação. Mudança de cidade, de trabalho, de vida, de ares. Se bem que tinha me prometido que daqui só para NY.
O quê fazer? Estamos no outono, é hora de tirar a minha bermuda branca da Kayland e vestir o meu melhor jeans CK. Mudanças à vista! É hora de começar tudo de novo.
Fui conferir a caixinha de morangos e só agora percebi que tinha um podre. Esse eu joguei fora, para sempre.
É hora de ficar em silêncio para ouvir o CD do James Blunt – All The Lost Souls, que comprei. Tenho embalado os últimos dias com ele. Bela obra, que traz tristeza ao meu coração.
Foto: gettyimages
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Quarta-feira, Abril 01, 2009
COISAS DA VIDA
Tava pensando em grandes obras que chamaram a minha atenção ao longo da vida. Não são poucas. Algumas acho geniais, outras mexem com a minha sensibilidade; muitas considero abstratas demais, incompreensíveis. As obras complexas me deixam inquieto e, por fim, de alguma maneira, cada um as vê conforme as várias informações que já faziam parte do seu consciente. Poderia citar obras magníficas do cinema, da arquitetura, da música, da pintura. Entretanto, tem obras muito simples que mexem comigo.
Imagino que isso aconteça porque no exato instante em que você a vê, ou ouve, ou sente, de alguma forma, suas emoções estão mais aguçadas. Pode ser por conta de uma paixão, por estar mais feliz, por se sentir mais completo. Tente olhar à Mona Lisa de da Vinci, num dia em que você está mal humorado. La Gioconda com certeza será para você a mulher mais feia que já existiu na face da terra.
Acho que as obras do cinema, os filmes, ganham dimensões auráticas, quando nos referimos à sensibilidade que sentimos. Isso se deve àquela agradável sala escurinha, que por alguns instantes nos tira do mundo real. Claro, essas emoções podem ser boas ou ruins. Pra mim, a música sempre embalou as minhas histórias, os meus dias, as minhas alegrias e desilusões.
Eu juro que se as palavras abaixo não coubessem aqui, jamais teria publicado. Hoje, preciso falar sobre algo. Não é à toa que venho tentando entender as coisas da vida. Avanço e retrocedo a todo instante. Procuro uma conclusão, mas tem verdades que não se esgotam em si. Algumas decisões são acompanhadas de perdas e podem ser definitivas. Beleza. Pra minha sorte, quase tudo na minha vida se apresenta, aos olhos e ouvidos, com direito à trilha sonora.
As próximas palavras talvez traduzam boa parte do que muitos de nós sentimos. São elas:
Como pode ser gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu. Fico desejando nós gastando o mar; pôr do sol, postal, mais ninguém. Peço tanto a Deus para esquecer, mas só de pedir me lembro. Minha linda flor, meu jasmim será. Meus melhores beijos serão seus. Sinto que você é ligado a mim. Sempre que estou indo, volto atrás.
Estou entregue a ponto de estar sempre só, esperando um sim ou nunca mais. É tanta graça, lá fora passa o tempo sem você. Mas pode sim, ser sim amado e tudo acontecer. Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena. Nessa doação, milagres do amor. Sinto uma extensão divina. É tanta graça, lá fora passa o tempo sem você. Mas pode sim, ser sim amado e tudo acontecer. Quero dançar com você, dançar com você. Quero dançar com você, dançar com você.
‘Amado’ é uma bela música da obra de Vanessa da Mata, com parceria de Marcelo Jeneci.
Foto: vanessadamata.com.br
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Segunda-feira, Março 30, 2009
QUEM SOMOS NÓS?
Você percebe quando perde o controle do tempo por alguém? Benza Deus as discussões que travo com pessoas que gosto. De tudo que falamos o que mais chamou a minha atenção foi à explicação conjunta sobre o quê seria Deus? Ela disse - Ele está dentro de nós, eu retruquei – acho que Ele está nas coisas. Então, concluímos juntos que, como Ele é o Universo, somos nós que estamos dentro Dele. Interessante, não?
Ontem assistimos ao documentário ‘Quem Somos Nós?’, de William Arntz, Betsy Chasse e Matthew Hoffman. O filme conta a historinha de Amanda, uma garota com dificuldades na fala, que vê o mundo de maneira bastante pessimista. Ao longo da trama quinze entrevistados, entre cientistas e Ph.D., mostram através do pensamento quântico como podemos modificar o nosso pensamento e interferir sobre as partículas atômicas e subatômicas que compõem a realidade.
É curioso tentarmos entender a vida através de uma ciência física, quando sabemos que nosso padrão religioso é Cristo. Será necessária uma flexibilidade de pensamento a fim de desconstruirmos o que acreditamos ser real, para construirmos uma realidade mais concreta. O pensamento da igreja é invisível, é subjetivo. A fé e a crença para a Física são energias concretas – são estruturas neurológicas cerebrais em ação.
O experimento físico em si é a prova de que determinada conclusão é composta por substância - é material. Então, o quê é a consciência? Atualmente, há uma grande mudança de paradigma do novo pensamento proposto pela ciência. Se antes, o pensamento cartesiano dizia que o homem era apenas um erro solitário, num Universo solitário, hoje, o pensamento quântico diz que somos uma dimensão do que é real. Que estamos relacionados entre si e disponíveis para o Universo.
Achei curioso um exemplo apresentado numa animação que mostra que uma bolinha em duas dimensões jamais entenderá o que é o nosso mundo tridimensional. Para bolinha, não existe uma dimensão além da que ela vive senão um Deus. Assim como, nós humanos, não compreendemos os mundos ou espaços que interagem numa dimensão “acima” de nós. Essas ideias transcendem a velha percepção de espaço e tempo dos padrões de Newton ou Darwin. Agora complicou, não?
Amanda é uma simples mortal que vê saltar aos olhos quatrocentos bilhões de acontecimentos. No entanto, a nossa capacidade de armazenamento de informação não registra mais do que dois mil eventos da realidade. Só conseguimos guardar aquilo que realmente nos interessa. Você já pensou em melhorar os padrões das suas importâncias e o quê você escolhe ver?
Agora vem a parte boa dessa historinha. Você acredita que somos capazes de alterar a realidade? Os físicos quânticos, após alguns experimentos, provaram que a realidade não é absoluta e sim como cada um a vê. Além disso, podemos exercer influência sobre as partículas que a compõem conforme nossa força de vontade.
Imagine um gerador de números ao acaso que produza bits 1 e 0. Os cientistas pediram a um voluntário que acionasse um botão desejando uma produção maior de determinado bit. Após vários experimentos foi constatado que o observador, no caso o voluntário, decidia o resultado final da quantidade de bits produzida. Isso levou os cientistas a pensar que podemos afetar a realidade que vemos.
Para fechar o meu dia fui assistir - Gloriosa. É uma peça de teatro que conta a história verdadeira de Florence Foster Jenkins e seu fiel pianista Cosmos MCmoon.Vale assistir o espetáculo pela história e pela atuação de Marília Pêra. O mais bacana é que o tema vinha ao encontro do que tinha pensado durante todo o dia.
Florence desejou numa vida inteira se tornar uma cantora lírica, mas não tinha nenhum talento. Desafinava e cantava mal. Muito mal. Foi uma verdadeira piada na NY dos anos de 1940. No entanto, acreditou. Florence não tinha a menor noção de que sua plateia prestigiava o momento de descontração e de boas risadas. A cantora estrelou um concerto no famoso Carnegie Hall e mais de duas mil pessoas tiveram que voltar para casa por não haver mais ingressos à venda. Naquela noite o teatro estava lotado.
Aos 76 anos, após o concerto no Carnegie, a estrela morreu. Disse o fiel pianista que Florence, ao ler no New York Times as críticas arrasadoras e debochadas, viu uma realidade que não era a que idealizou por uma vida inteira.
Agora, imaginemos uma partícula de onda, ou o pensamento de Florence. Cada partícula é capaz de ocupar até três mil posições no Universo, de maneira indivisível e ao mesmo tempo. Os objetos são formados por partículas, átomos e moléculas, sendo que em seus núcleos existe o vácuo. Se nessa mesma partícula de onda fizermos determinado estímulo, logo, todas as outras partículas responderão da mesma forma, independente da posição espaço e tempo. Se eliminássemos apenas uma partícula, o todo deixaria de existir.
Bem... penso na minha família que está há mais de 1.500 km de distância. É mais simples que a plateia ou a visão de Florence. De alguma maneira, em níveis mais profundos, minha mente está conectada com a deles. Estamos emaranhados por laços de luz no espaço e no tempo, sendo que esse tempo não é absoluto e sim o resultado de várias realidades de mundos complementares. Entretanto, se me comunico com eles de alguma maneira, estamos vivendo experiências relacionadas. Eu, particularmente, acho que vivemos assim com quem queremos bem e de maneira espontânea.
Ora, quantas vezes você pensou: eu já vivi isso antes; eu sabia que ia acontecer isso comigo; eu sabia que ela não estava bem; enfim.
‘Quem Somos Nós?’ também mostra como funcionam as redes neurológicas do cérebro. Nossos neurotransmissores são responsáveis pela memória, por reações, por emoções. Eles trabalham de maneira associativa e cognitiva. Tem regiões responsáveis pelo bem estar, pela alegria, pela tristeza, até o finito da nossa complexidade física.
Admitimos que Amanda passou 20 anos da sua vida acionando as redes neurológicas do seu cérebro responsáveis pela depressão, pela tristeza, pelo infortúnio. É esse o padrão formatado das células do seu cérebro. Florence, pelo contrário, era só alegria. Então, se alteramos o nosso comportamento, as nossas emoções, com certeza alteraremos as conexões da rede. Isso é válido para Amanda e Florence, para mim e para você. É isso que determina mais tristezas ou mais felicidades em nossas vidas.
Concluindo, tô treinando para recriar as conexões neurológicas do meu cérebro. Para isso, tô exercitando a felicidade, a inteligência, a memória, a paciência. Tô me amando mais, eu chego a refletir James Jean no meu espelho. Sério! Estou amando mais a vida como ela se apresenta e da melhor maneira que posso vê-la. Tô me permitindo mais e me importando com aquilo que me faz melhor.
Às vezes, sou meio Amanda, sou meio Florence, meio Cosmos, meio Zé.
Foto: arquivo pessoal
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ZÉ | 12:35 AM | 40598927
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