AUTOR
Joseph Meyer
Jornalista
Rio de Janeiro
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Quinta-feira, Abril 09, 2009

CROMOSSOMO Y



Ontem saí pra dançar. Tô com a mania de andar com o celular na mão. Fico pensando que isso acontece porque não quero perder nenhum contato. Quero responder as várias mensagens instantaneamente. Também não pretendo perder os telefonemas mais importantes. Bela ferramenta de trabalho e comunicação, não? Lembra que há uns 15 anos não o tínhamos? Geralmente atendo meus amigos de prontidão, mas quando me canso de um ou outro prefiro o auxílio da minha secretária. Às vezes dá certo!

Enfim... pista bombando, drink rolando, depois de alguns bips resolvi atender ao meu querido amigo que já não ligava há meses. Atendi dançando, claro. Ouvi de súbito o seguinte - você ficou amigo da minha ex-namorada? Respirei fundo e mandei - que saudade amigo, eu também sinto falta de ti. Como é viver numa cidade gigantesca como São Paulo?

Pronto, gelo quebrado, clima estabelecido, ouvi - Ah... aqui é ótimo, apesar de me sentir muito sozinho. É difícil de fazer amigos, mas tô levando. Tenho muito trabalho, enfrento todo o dia um trânsito caótico, e o tempo é curtinho. Desculpa por parecer que estou cobrando de você o encontro com Maria Luíza, mas tento falar com ela e pra mim não há respostas. Tenho acompanhado as mensagens dela no Orkut e vi que vocês saíram juntos.

Li uma pesquisa de uma cientista da respeitadíssima Universidade de Oxford, Susan Greenfield, que diz que as redes sociais como o Orkut ou Facebook reconfiguram o cérebro e não para melhor. “Essas tecnologias podem infantilizar o cérebro, que ficaria predisposto ao distúrbio de déficit de atenção – DDA", comentou Susan.

Imediatamente lembrei-me de algumas atitudes minhas e do meu amigo. Quantos de nós utilizamos essas redes de forma errada? Ok. Havia saído na noite anterior, mas pra dançar com amigos de longa data. Casualmente encontrei Maria Luíza e a trouxe pra nossa roda. Sabe aquela roda lotada de amigos, colegas, conhecidos? Beleza! Até aí nada de errado!

Voltando ao meu ilustre amigo mandei um recado definitivo e disse o seguinte: - rapaz... você está me ligando nessa hora da madrugada pra dizer que não tem a intenção de fazer cobranças? Eu dei um belo chega pra lá no cara e disse que se a sua ex fizesse questão de uma amizade razoável comigo, seja no Orkut, no Blog, na noite, ou principalmente na vida, claro que ela seria muito bem vinda. Resolvam o problema de vocês entre vocês e, por favor, me ligue pra saber sobre mim. E nada mais!

Fui um pouco grosso, mas normalmente ajo assim. Depois pensei que de fato foi à maneira mais sensata. Sempre fui da opinião de que mulher de amigo meu é homem. Beleza, bom pra mim. Também percebo que excesso de educação, mesmo que propositalmente forçada, pode nem ser levada a sério e vira motivo de deboches. Uma verdadeira M, não?

Claro que nunca fui um cara de defender personagens. Pelo contrário, se tiver que morrer que se morra. Também não entraria em discussão de casal, muito menos em jogos de interesses. No entanto, ser solicitado na hora do aperto! Convenhamos! Ta certo amor, volte pras cinzas!

Tô indo pra Sampa logo mais, o dever me chama!

O cromossomo Y é o menor dos cromossomos humanos e somente é passado pelos pais aos filhos homens. Entendeu?

Foto: Rodolfo Gomes

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posted by ZÉ | 1:03 AM | 40605955 | |


Quarta-feira, Abril 08, 2009

REDE DE ILUSÕES



A distinção entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que persistente. Einstein.

Veja só que barato o mundo dos meus pensamentos. Hoje resolvi fazer as contas, passar a régua, chamar o garçom, matar a cobra e mostrar o pau. Prepare-se. Estou embalando o meu texto com um belo rock in roll. Tudo pra redesenhá-lo, partir pra versão 2.0, pra melhorar sua cara e a cara deste que vos escreve.

Esse é o meu post de número 50. Até aqui são mais de 33.598 palavras. Não tô falando caracteres, esses eu não consegui contar. Beleza, não? Meu primeiro texto é de 2003. São 6 anos, já passei por um grande intervalo e um gigantesco retorno. Se minha proposta inicial foi discutir as relação humanas: em especial as minhas, já tô quase PhD no assunto. Só me falta praticar, mas isso eu não posso fazer aqui. Deixemos a prática para os dias da vida.

Antes de começar esse texto eu joguei tudo o que escrevi num editor com folha de tamanho A4. Pra minha surpresa, já discorri as 80 páginas exigidas numa dissertação de mestrado. Devo ter aprendido alguma coisa, não?

A dúvida que mais me questionei foi sobre quem somos nós e qual a minha real função nesse Universo. A palavra ‘pensamento’ eu utilizei 21 vezes, considerando singular e plural. Pensei sobre a vida e o homem inserido nela. A palavra ‘realidade’, seu plural e o meu questionamento do que é real, mencionei em 128 momentos. A palavra ‘amigo’ eu utilizei 133 vezes, a fim de entender quem são eles. E, pra finalizar, pesquisei a palavra ‘amor’, essa eu repeti 69 vezes. Interessante, não? Tô em busca do conceito dessa palavra, desse sentimento tão concreto e abstrato ao mesmo tempo.

Tenho convidado algumas pessoas para lerem o que escrevo e com isso consegui despertar todo o tipo de sentimento, de impressão no outro. Já chamei pra leitura meus grandes amigos, meus meio-amigos, colegas, professores, jornalistas, sabedores das relações humanas, gente que já viveu muito, gente que precisa aprender muito, enfim. Uma das melhores declarações que tive foi sentenciada numa breve frase que dizia – cuida bem do teu Blog que vale a pena. Beleza, não?

Mas, pra registro, vale mencionar outras falas muito interessantes que recebi. Essa crítica pode ser positiva ou negativa – é a visão particular de cada um. Minha analista diz que estou ensaiando para um voo maior. Aceito! Um dos meus assessorados, sábio que só ele, disse – que textos bem escritos, que bom tê-lo como assessor. Aceito! Outra fala – você poderia imprimir e me presentear com os teus textos autografados? Aceito! Tô providenciando. Brinquei dizendo que será um belo backup. Além de todas as outras impressões que estão publicadas no link ‘notas ao Blog’ e no ‘Comments’ de cada post.

Agora, vamos à crítica cruel - mantém esse Blog pra quê? Aceito! Explico-me através dos textos e em especial no ‘Prefácio’. Outra – detesto Blog. Aceito! Eu também não gosto, tenho preguiça de ler em frente ao computador. Mais uma - você tem tempo, né? Aceito! Não só tenho tempo, como o utilizo bem!

Semana passada eu fiz uma nova assinatura de revista – a Super Interessante. A Abril deve ta me adorando. Amarro-me nessa publicação. Não é que nessa primeira edição que recebi, a editoria ciência trazia uma matéria sobre as possibilidades que temos de visitar o nosso passado ou o nosso futuro? Super interessante mesmo, não?

A matéria da Super, ‘Viagens no Tempo’, vem ao encontro do que penso e tento discutir aqui. O texto, assinado pelo jornalista Alexandre Versignassi, mostra duas teorias e alguns exemplos da possibilidade dessa viagem. Para ele, cientificamente, seria possível que fizéssemos essa volta ou avanço no tempo, mas precisaríamos ultrapassar a velocidade da luz. Como ainda não temos equipamento, diz que essa viagem ficará pra um futuro. Outro ponto interessante, numa das teorias, é o questionamento se temos ou não o livre-arbítrio. Têm físicos que dizem que tudo está determinado, como se a vida estivesse gravada quadro a quadro num grande rolo de um filme. As coisas estariam acontecendo no futuro, ao mesmo tempo, então como teríamos o poder da escolha?

Sabe o quê mais me deixa feliz ao escrever aqui? Além do belo exercício do texto eu tenho a certeza de que alguma pessoa, nem que seja uma só, pode ser tocada com o que penso. Eu acredito que tem movimentos na vida da gente, desses espontâneos, que nos conduzem a lugares que não esperávamos. Mandamos a mensagem pra A ou B, mas, no final, vamos ver que atingimos vários C. Pra mim já basta, não?

Só agora fiz a pesquisa de quantos ‘não’ eu disse: foram 388. Pode ter certeza de que todos eles tentaram negar o que não é bom. Entretanto, neste texto eu os usei pra pedir confirmação. Já a palavra ‘sim’ eu falei três vezes menos. As 119 afirmações provavelmente serviram pra legitimar o que penso. Vou me corrigir nesse sentido.

Pra finalizar, citei no meu Blog 12 vezes a palavra ‘obrigado’. Parece pouco, então estou utilizando novamente a palavra ‘obrigado’ não só pra aumentar esse número, como também pra agradecer a você por ter lido os meus textos até aqui.

É bom pensar sério na rede, não? Seja ela real, uma verdade inteira, meia-verdade, ou ilusória.

Foto: gettyimages

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posted by ZÉ | 5:09 PM | 40605624 | |


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